Dia Internacional contra a Corrupção

[[O trabalho no MPPE incluia a redação de textos para panfletos, folders e outras peças de divulgação, um trabalho mais de Publicidade do que de Jornalismo, e que encarei com frequência. Um exemplo é o panfleto abaixo, produzido pela Controladoria Geral de União para distribuição em eventos relativos ao Dia Internacional contra a Corrupção. A CGU já tinha sido parceira do MPPE em outras ações e pediu nosso apoio para este material. Contribuímos com o texto, de minha autoria, e eles se encarregaram do layout.]]

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Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito

Arrumando uma estante, olha só o que eu achei. Matéria do Diario de Pernambuco publicada em 30 de abril de 2006 sobre o Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito, que ganhei naquele ano na categoria Jornalismo – Nacional  com projeto sobre álcool e direção. A série inicial foi publicada ao longo de uma semana, de domingo a domingo, como preparação para um fórum que o jornal realizou junto com o Detran/PE para debater o problema – anos antes da Lei Seca e de o assunto virar pauta séria na imprensa nacional.

Durante o fórum, que teve oito encontros semanais, fiz a cobertura e reforcei os temas debatidos com matérias de domingo. Nem o suplemento infantil Diarinho escapou. Na semana da série inicial, o caderno também falou de trânsito para as crianças.

Um trabalhão, longo e com apuração sofrida. Além de escutar dezenas de histórias de pessoas mortas, feridas e mutiladas no trânsito em função do uso do álcool, virei três noites no SAMU esperando o momento de acompanhar as equipes de resgate no socorro a pessoas envolvidas em acidentes com características que indicassem alcoolização. O pior era ter a certeza de que aconteceria. E aconteceu, duas vezes.

A primeira semana da série, com esta e outras histórias, pode ser conferida AQUI.

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E Tapacurá não estourou…

[[Quase 20 dias seguidos de chuvas estão deixando os recifenses nervosos. Boato de ontem à noite de que um temporal sem precedentes se abateria sobre a cidade durante a madrugada provocou até cancelamento de filme no Cine-PE. E me fez recordar dessa matéria, escrita em 2005 para o Diario de Pernambuco. Aqui vai a versão original. A edição da época fez uma alteração não discutida comigo. O resultado foi um erro de informação e uma alteração na cadência de leitura que me corroeram por meses.]]


Trinta anos depois, a notícia de que a barragem teria estourado e o Recife seria inundado só desperta risadas

Renata Beltrão
Da equipe do DIARIO

Qualquer cidadão recifense que tenha por volta de 40 anos ou mais lembra exatamente o que estava fazendo às 10h do dia 21 de julho de 1975 – provavelmente, corria em desespero. Naquela segunda-feira de 30 anos atrás, a população enlouqueceu de medo por algo que sequer aconteceu: a barragem de Tapacurá teria estourado e, em poucos minutos, uma onda gigantesca varreria o Recife do mapa. Nestas três décadas, o famoso boato já virou estudo acadêmico, livro e até filme-catástrofe inacabado. E, claro, entrou para o rol das esquisitices que marcam a identidade da Capital pernambucana.

Naquele dia, os 1,2 milhão de habitantes da cidade viveram o raro fenômeno do pânico coletivo, como explica o jornalista Homero Fonseca no seu livro Viagem ao Planeta dos Boatos (1996). Todo mundo já estava acostumado com as enchentes e seus resultados, mas não com a desilusão. Tapacurá, construída entre 1969 e 1973, teria a milagrosa capacidade de acabar tanto com a falta d’água quanto com as cheias na Capital. Pura propaganda enganosa. Na semana que antecedeu a correria, a cidade havia sofrido a maior inundação da sua história, que cobrira 80% do território recifense e causara a morte de 107 pessoas.

Tapacurá não tinha funcionado, ou pelo menos não como o Governo disse que funcionaria. O resultado foi o início da boataria, ainda no dia 17 de julho de 1975, de que a barragem teria estourado. A história mirabolante passou despercebida na ocasião, afinal, a cidade já estava mesmo completamente encoberta pelo rio Capibaribe. Só ganhou crédito quatro dias depois, quando já tinha parado de chover. O céu estava de um azul cintilante quando a correria começou.

“As vísceras da cidade ainda estavam expostas, o mau-cheiro no ar, quando surgiu o boato que o Recife voltaria a ser inundado por uma cheia ainda maior. As pessoas abandonaram tudo o que estavam fazendo e corriam sem saber para onde ir. Quem estava na rua tentava entrar nos ônibus, quem estava dentro pulava pela janela, carros eram abandonados no meio do caminho. Pacientes do hospital Barão de Lucena saíram às ruas ainda vestindo camisolões”, conta o jornalista. De acordo com a edição do DIARIO da época, três pessoas morreram do coração com o susto.

A população só se acalmou uma hora depois, quando carros de som começaram a circular a cidade com o desmentido oficial. Na época, o governo militar tentou atribuir o boato à ação terrorista, fato nunca comprovado. O mais provável é de que o disse-me-disse tenha sido uma reação espontânea ao que os jornais à época classificavam de “psicose das enchentes”. A doença que causava medo de inundações foi curada apenas em 78, com as barragens de Carpina e Goitá – essas sim, construídas com a tarefa de conter as cheias do Capibaribe.

Mas o que aconteceria se Tapacurá de fato tivesse estourado? Possivelmente nada, como explica o então diretor de Operações da Compesa, Geraldo Araújo. “Rompimento de barragem acontece pelas laterais. A água escoa pelo paredão e vai revolvendo o fundo do rio. Essa onda suja levaria umas quatro ou cinco horas para chegar ao Recife e, se causasse algum estrago, ficaria restrito à Várzea. Apesar da fama, a capacidade de Tapacurá não é tão grande”, afirma o técnico.

Na hora do boato, em 1975, Araújo andava tranqüilamente pelo paredão da barragem. “Nem cheia ela estava”, lembra. Incrédulo, assistiu a uma inusitada corrida de equipes de rádio e TV ao local. “Naquele dia, dei uma entrevista a uma emissora de televisão afirmando que não havia nada de anormal na barragem. Passaram tanto essa gravação que até um ano depois eu era reconhecido na rua”.

Toda essa confusão já poderia estar rodando o mundo no filme Tapacurá, que os diretores Liz Donovan e Nelson Caldas Filho começaram a rodar em 2000, com patrocínio inicial da Celpe. Por dois dias, fechou-se o cruzamento da rua da Aurora com Conde da Boa Vista para a gravação das tomadas de pânico, com cerca de 400 figurantes, muitos deles voluntários. O projeto está atualmente engavetado por falta de outros investidores interessados, explica a cineasta.

[ARTE – originalmente publicada como HQ]

8h – Segunda-feira de sol no Recife, que começa a se recuperar das enchentes dos dias anteriores. As ruas ainda estão cheias de lama e fedem com os destroços trazidos pelo rio. As lojas do Centro estão lotadas de gente tentando comprar produtos de primeiras necessidades.

10h – Não se sabe como, surge o boato de que Tapacurá estourou. Rapidamente a notícia se espalha e toda a população começa a correr enlouquecidamente em todas as direções. O trânsito fica caótico, muita gente tem ataques histéricos e há quem invada edifícios mais altos tentando escapar da “onda gigante”.

11h – Carros de som começam a rodar a cidade para desmentir o boato. O próprio governador Moura Cavalcanti vai até a rua do Hospício e grita para a população que não há perigo. Rádios dão flashes com o desmentido. A polícia prende seis “terroristas” suspeitos de espalhar a mentira.

Enquanto isso, em Tapacurá…
Fazia sol e a barragem nem mesmo estava sangrando. O diretor de operações da Compesa, Geraldo Araújo, andava tranqüilamente pelo paredão de Tapacurá e olhava curioso para os carros de imprensa chegando ao local à toda velocidade…

Comerciante escapa de correria

O comerciante Ivo Pires Ferreira foi um dos poucos que conseguiu manter a calma depois de ouvir o boato de que Tapacurá teria estourado. Em 1975, Ferreira já era proprietário da Farmácia São Judas Tadeu, localizada em um ponto privilegiado da avenida Guararapes. Na hora da correria, ele estava dentro da loja Ele & Ela da rua Nova, junto com o filho de oito anos. “Foi aquela confusão. Começaram a fechar as portas com a gente dentro e eu insisti para sair com o menino”. Quando o comerciante chegou à farmácia, encontrou seus próprios funcionários baixando as portas corrediças em meio a um grande pandemônio. “Foi assustador. Pedi calma a todo mundo, mas estavam todos nervosos, querendo subir para os andares mais altos do prédio. Tinha até uma funcionária em cima de uma escada, dentro do banheiro, chorando e dizendo que ia morrer. Todo mundo achando que a água já vinha na Conde da Boa Vista”, diz seu Ivo, já rindo das próprias lembranças. O comerciante pôde até lucrar alguns trocados: naquele dia, venderam-semais de 70 caixas de Diempax, um calmante antidistônico hoje de tarja preta. No dia 22 de julho de 1975, a farmácia São Judas Tadeu aparece na primeira página do DIARIO: ela está ao fundo de uma das fotos onde o povo, desesperado, corre em todas as direções para fugir da enchente.

Mulher passa 15 horas em árvore

Depois da cheia de 1975, a professora Marluce Macedo sentia calafrios só de ver uma caixa d’água enchendo. Não era para menos. A casa em que morava no Prado foi completamente inundada e ela perdeu tudo o que tinha, inclusive as roupas e um piano de estimação. Pior do que isso foi a experiência de passar 15 horas entre os galhos de um jambeiro. “Tinha muito medo de cobra e rato me morderem. Me pendurei lá de 1h da madrugada e fiquei até as 16h do dia seguinte. Os bombeiros passaram num barco, coitados, e não tiveram como me tirar da árvore porque a correnteza estava muito forte. Disseram que, se acontecesse qualquer coisa, estariam com uma corda no final da rua para me apanhar”, relembra. A situação era tão séria que helicópteros da Força Aérea Brasileira sobrevoavam os bairros inundados para localizar gente ilhada. “Só comi um pão-doce no outro dia, porque meu sogro jogou na árvore amarrado dentro de um saco”, completou. No dia 21 de julho, quando Marluce já estava tirando a lama de dentro de casa, chegou oboato de que Tapacurá tinha estourado. Traumatizada pela situação que acabara de viver, ela pegou o filho Fred, de apenas oito anos, e saiu correndo sem direção na tentativa de fugir das águas. “Fui bater na frente do Bandepe da avenida Caxangá, sem nem saber porque estava indo para lá. Só depois chegou o desmentido”, completou.

Peixe-boi esquecido no Derby

Em 1975, Xica ainda era chamada de Chico, por puro desconhecimento de quem a mantinha no pequeno tanque da praça do Derby. O peixe-boi era, então, a principal atração do local para as crianças que o lotavam no final de semana. Com as chuvas dos dias 17 e 18 de junho, o bairro ficou completamente inundado pelo rio Capibaribe e pelo canal Derby-Tacaruna. Não foi diferente com o tanque de Xica, coberto pelas águas ainda nas primeiras horas da enchente. Tendo que dar conta de milhares de pessoas desabrigadas, a Prefeitura do Recife só lembrou do peixe-boi quando as águas baixaram e todos já tinham se acalmado ao descobrir que Tapacurá não tinha estourado. Àquela altura, já se achava que o peixe-boi tinha fugido e nadado para o rio. Qual não foi a surpresa quando verificaram que Xica continuava morando na praça do Derby, se alimentando do capim-de-burro que passava boiando na correnteza. O DIARIO publicou esta história no dia 26 de julho de 1975, para tranqüilizar os fãs do animal. Com a criação do Centro de Mamíferos Aquáticos, em 1992, Xica foi transferida para Itamaracá, onde ganhou um tanque mais adequado e descobriram seu verdadeiro sexo. Até hoje ela vive no CMA e, com idade estimada de 42 anos, é o animal mais velho aos cuidados do Projeto Peixe-Boi.

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Prêmio Amistad da Revista Humboldt

Quando soube que a Revista Humboldt tinha aberto um concurso de Fotografia sobre o tema “Amizade”, imediatamente lembrei desta foto, tirada na feirinha da Liberdade, em São Paulo.  A Humboldt é tudo menos óbvia – diagramação super-clean, associação entre imagens e textos pra lá de subjetiva. Assim, achei que essa foto casaria perfeitamente com a linha da revista e com o que ela queria evocar com o tema: a aproximação entre os povos.

A foto foi publicada na edição comemorativa de 50 anos da Humboldt, que circula na Alemanha, Península Ibérica e América Latina. Também ilustrou o ensaio “De guerras e pepinos”, de Guillermo Rodríguez, vencedor da categoria Texto no mesmo concurso.  Confira no site da Humboldt.

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Vítimas de discriminação racial passam a ser representadas pelo Ministério Público nas ações penais

[[Em 2009, o GT Racismo do MPPE precisava de assunto para o 20 de novembro. Então, lancei a ideia de que o procurador-geral de Justiça recomendasse mais ênfase na atuação dos promotores nos casos de racismo, conforme possibilitava uma mudança recente no Código Penal. O GT topou, o procurador-geral também, e o assunto acabou destaque em vários veículos no Dia da Consciência Negra. Mais importante ainda: a coisa evoluiu e hoje estamos trabalhando numa atuação conjunta – MPPE, Polícia Civil, Polícia Militar e Movimento Negro – para aumentar o grau de resolução dos crimes de racismo no Sistema de Justiça. Em paralelo, faremos campanha de comunicação estimulando a sociedade a denunciar, tendo como uma das peças uma cartilha de bolso. Segue embaixo o release que divulgamos na época e que deu manchete do Diario de Pernambuco]]. 

Vítimas de injúria baseadas em discriminação de raça, cor ou etnia não precisam mais contratar advogado para entrar com ação penal contra o agressor. Uma mudança recente no Código Penal permite que as vítimas sejam representadas pelo Ministério Público, o que deve reduzir a impunidade nesses casos. Para garantir a eficácia da medida em Pernambuco, o procurador-geral de Justiça, Paulo Varejão, está recomendando a todos os promotores com atuação criminal que intensifiquem a atuação nessas situações. A medida será publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 20 de novembro, data em que comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.

A recomendação, lançada por sugestão do Grupo de Trabalho sobre Discriminação Racial (GT Racismo), requer em primeiro lugar que os promotores exijam das delegacias de Polícia Civil a prestação de um tratamento adequado às vítimas de discriminação. Para que o ato realmente seja punido, é essencial que a pessoa agredida receba informações corretas sobre como deve proceder para levar o caso à Justiça. A recomendação também determina que os promotores verifiquem as queixas-crimes registradas e inquéritos concluídos nos últimos seis meses para que sejam tomadas as medidas cabíveis antes que prescrevam.

O que fazer? Na delegacia, a vítima de injúria qualificada deve solicitar que seja lavrado um termo de representação, contendo todas as informações que possam servir à apuração do fato e da autoria. O delegado então deverá abrir um inquérito policial para investigar o caso e concluí-lo no máximo em 30 dias. Depois, todo o material será remetido ao Ministério Público que, por sua vez, tem no máximo 15 dias para tomar providências, podendo entrar com a ação penal contra o agressor, solicitar que a Polícia faça novas diligências ou pedir o arquivamento do caso.

Antes da mudança no Código Penal, a ação penal para casos de injúria qualificada era privada: as vítimas tinham seis meses a partir do fato para, através de advogado, ingressar com a queixa-crime – peça que dá origem à ação penal privada. Muitas vezes, os agredidos sequer recebiam essa informação na delegacia, por acreditarem que o só fato de haverem ido à Polícia ensejaria a punição. Ou seja: o prazo acabava antes do cidadão poder tomar as medidas necessárias para buscar a punição do agressor.

A atuação do Ministério Público, através da ação penal pública condicionada (aquela em que é necessária representação da vítima para que o MP possa agir), vale para a injúria qualificada em razão dos elementos referentes a religião, origem, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, além dos já citados, cor, raça e etnia. A pena nesses casos é de reclusão de um a três anos, mais multa.

O GT Racismo/MPPE – O GT Racismo é um grupo de trabalho criado em 2002 pelo Ministério Público de Pernambuco para estudar e divulgar interna e externamente a necessidade de enfrentar quaisquer formas de discriminação racial. É formado por procuradores, promotores e servidores do Ministério Público de Pernambuco. O GT Racismo tem entre seus eixos de atividade, ainda, a garantia dos direitos básicos da população quilombola, indígena e cigana, bem como a implementação da Lei 10.639/03 (alterada pela 11.645/08), que prevê a inclusão obrigatória da história e cultura afrobrasileira e indígena nos currículos escolares dos ensinos médio e fundamental.

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Maracatu rural



Maracatu rural em Aliança, interior de Pernambuco, no Carnaval de 2009. Mais fotos em http://www.flickr.com/renatabeltrao.

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Empresário alemão desconfia do Brasil

[[Olhando retrospectivamente parece absurdo – na verdade, na época já parecia – mas antes das eleições presidenciais de 2002, os alemães realmente associavam Lula a uma revolução comunista. Matéria publicada originalmente no Diario de Pernambuco de 4 de setembro de 2002, no caderno Economia. Viajei à Alemanha a convite do Governo daquele país, junto com outros onze jornalistas brasileiros]]

Associação Ibero-Americana tenta tranqüilizar investidores em relação às eleições para presidente

Renata Beltrão
ENVIADA ESPECIAL

HAMBURGO – A Associação Ibero-Americana, com sede nesta cidade, está sendo obrigada a fazer uma verdadeira campanha de tranqüilização dos empresários alemães com relação à crise no Brasil. Dois dos jornais mais lidos da Alemanha – o especializado em economia Handels Blatt e o Frankfurter Allgemeine – publicaram artigos bastante negativos na última semana, prevendo para o Brasil uma quebradeira geral comparável à da Argentina. A Associação, que congrega cerca de 400 empresas com negócios na América Latina, está respondendo às críticas através de artigos nestes mesmos jornais, na tentativa de desfazer a desconfiança de possíveis novos investidores quanto à estabilidade brasileira.

As críticas negativas ao País estão relacionadas, em grande parte, à proximidade das eleições presidenciais e à possibilidade real de uma vitória de Luíz Inácio Lula da Silva (PT), ainda tido pela Imprensa alemã como político ultra-esquerdista, anti-capitalista e adepto da reestatização, segundo Peter Rosler, diretor-adjunto da Associação Ibero-Americana. Um dos jornais chegou a fazer alusão a uma revolução comunista. “Os meios de comunicação da Alemanha infundiram muito exagero em seus artigos, gerando um certo pânico sobre o que poderia significar um governo de Lula. Isso não afeta os investimentos das grandes empresas que já mantêm negócios com o Brasil, mas impede que médios empresários possam vir a ser novos investidores. Neste momento, e por causa desta tensão, tem sido bastante difícil conversar com estes últimos”, disse Rosler.

Desde o estabelecimento de relações comerciais entre os dois países, os membros alemães da Associação Ibero-Americana investiram US$ 19 bilhões no Brasil, sendo 88% do total no setor industrial (especialmente na produção de automóveis, máquinas e produtos químicos). No ano passado, foi US$ 1,1 bilhão. No primeiro semestre deste ano, os investimentos ficaram na casa dos US$ 400 milhões – redução já associada à crise de confiança no País e às eleições. “A crise é principalmente no mercado financeiro e não deveria afetar os negócios entre Alemanha e Brasil. Mas há muitos empresários que preferem esperar. Mesmo na Alemanha, a proximidade das eleições federais diminuiu em 30% o volume de negócios dentro do País”, declarou.

Segundo Peter Rosler, os empresários alemães com negócios estabelecidos no País já aceitam com pragmatismo uma eventual vitória de Lula. Neste ponto, ajudou bastante o fato de que o candidato a vice-presidente, o senador José Alencar (PL), é líder empresarial e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). “Lula já esteve duas vezes nesta casa, conversando com empresários alemães. Muitos deles também já conhecem o trabalho do PT em governos regionais. Não temos medo dele”, resumiu o diretor-assistente.

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